Um patrimônio da Igreja

Desde os primórdios da Igreja surgiram Regras Monásticas baseadas nas Sagradas Escrituras e na experiência viva dos seus autores, que ajudaram a organizar e desenvolver as diversas comunidades religiosas. Os antigos Padres do Deserto foram os Mestres Espirituais que, sob a ação do Espírito Santo, foram desenvolvendo a mentalidade monástica na Igreja. A maioria dos doutores da era Patrística foram monges antes de se tornarem bispos. Muitos destes Santos Padres formularam Regras que são vividas até hoje. As Regras contêm normas ascéticas, a fim de se atingir o domínio do corpo e a libertação dos desejos. Contêm, ainda, normas práticas que organizam o dia a dia do funcionamento da comunidade. Uma Regra muito antiga do Alto Egito tinha apenas cinco preceitos: a oração; o canto dos salmos; a leitura bíblica; o trabalho manual e a meditação.

Nosso Mosteiro busca viver o espírito primitivo da Ordem do Carmo, com as riquezas dos diversos períodos pelos quais passou, porém se identifica de modo particular com a Regra de Santo Alberto de Jerusalém em seu aspecto eremítico, o qual se forma e se solidifica na vida cenobítica monástica.

Consideramos bem-vinda a influencia ocidental na formação da vida Monástica, expressa de modo específico na Regra de São Bento de Núrsia. Esta Regra tem previsto uma mistura dos cenobitas com a possibilidade da vida solitária dentro o contexto da vida monacal. Apesar de não estar escrito de forma mais clara em nossa Regra, vemos que a explicação da Regra de São Bento bem se aplica a nosso estilo de vida, provando não ser um novo estilo de vida religiosa e sim um novo ramo que brota do velho tronco desta grande árvore que é a vida monástica de modo específica no Carmelo. 

Assim escreve o santo patrono da Europa:

O segundo gênero é o dos anacoretas, isto é, dos eremitas, daqueles que não por um fervor inicial de uma vida monástica, mas através de provação diuturna no mosteiro, instruídos então na companhia de muitos, aprenderam a lutar contra o demônio e, bem adestrados nas fileiras fraternas, já estão seguros para a luta isolada no deserto, sem a consolação de outrem e aptos para combater com as próprias mãos e braços, ajudando-os Deus, contra os vícios da carne e dos pensamentos”.

Neste contexto, consideramos que existe um só Carmelo com varias formas de vivê-lo, como existe dentro das casas e congregações beneditinas. Encontrando aqui também a possibilidade de viver em mais solidão, depois de terem sidos provados pela vida comunitária.