Origem

A Ordem do Carmelo

A história de uma comunidade monástica, como a história de toda a família, é uma narrativa da perseverança e da adaptação de seus membros, bem como da graça de Deus que tudo mantém.

Como diz na Introdução da Exortação Apostólica Pós-Sinodal, Vita Consecrata, do Santo Padre João Paulo II, “A vida consagrada, profundamente arraigada nos exemplos e ensinamentos de Cristo Senhor, é um dom de Deus Pai à sua Igreja, por meio do Espírito”. Seguindo mais adiante no Nº 2 diz: “E não prospera só dentro da Igreja católica; na verdade, a vida consagrada acha-se particularmente viva no monaquismo das Igrejas ortodoxas, como rasgo essencial da sua fisionomia, e está a começar ou a ressurgir nas Igrejas e Comunidades eclesiais nascidas da Reforma, como sinal de uma graça comum dos discípulos de Cristo”.

 A vida monástica no Carmelo tem a peculiaridade de situar-se totalmente inserida na História da Salvação, não somente por sua antiguidade (ainda que não como uma Ordem canonicamente instituída, como mais tarde veio a ser), mas, sobretudo, por ter surgido na Terra Santa, e porque Elias, o Santo Profeta solitário, estabeleceu-se no Monte Carmelo dando origem e inspiração para a vida monástica carmelitana.

O fato de esta Ordem ter surgido na Terra Santa acrescentou muita riqueza e exuberância para sua espiritualidade. Em virtude desta localização, a Tradição Carmelitana sempre considerou sua história em três períodos e três culturas diferentes, a saber: Hebraica, Grega e Latina. De fato, Pôncio Pilatos escreveu nestas mesmas três línguas no letreiro que foi colocado em cima da Cruz. (Jo 19,20) Esta sua atitude foi considerada, por muitos, como uma consagração destes idiomas e culturas, os quais foram marcados pela História da Revelação de Deus. 

Nosso Mosteiro

O Carmelo de volta ao deserto 

"O Carmelo de volta ao Deserto!" Este é o grito do venerável carmelita do século XIII Nicolau Francês que, ao escrever o "Ignea Sagitta" convocava os religiosos da sua Ordem a deixar as cidades e voltar ao estilo de vida eremítico. Afinal, não é novidade nenhuma que a solidão e o silêncio do deserto forjaram os maiores santos do cristianismo, que animados e fortalecidos pelos auxílios da Graça Divina, escancarada pela pregação da Santa Madre Igreja decidiram-se por uma vida de perfeição, renunciaram a tudo, abraçaram uma vida mortificada e penitente e conquistaram o Paraíso Celeste onde cantam eternamente os justos louvores a Deus.

Não se trata de um novo carisma, mas um resgate da forma de vida dos primeiros Carmelitas. Nesse sentido os Monges e Monjas Eremitas da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo (ECarm), inseridos em um contexto longe das cidades, na solidão “dos montes e nos desertos” abrem as comportas que enceram a grande potência da Liturgia Tradicional Carmelitana, que há séculos estava esquecida, cuja base está completamente fundamentada na Santa Igreja Católica Apostólica Romana a qual permanece em plena comunhão nos dias atuais. Mas agora é reavivada e impulsionada por almas generosas à voz da graça que deixam as riquezas e ilusões do mundo, para seguir Nosso Salvador Jesus Cristo a exemplo de Santo Elias, em uma vida simples, obediente, com uma verdadeira conversão de costumes e estabilidade monástica.

Enclausurada por Cristo, a Monja Carmelita Eremita, aspira uma vida de maior perfeição e santidade. Observando os valores fundamentais de sua vida monacal, ela se une a Deus no interior de sua cela e de seus claustros para que a graça emane para a humanidade...

 “O principal objetivo da Ordem do Carmelo é amar a Deus e viver na presença dEle. A este objetivo conduzem o silêncio, a solidão, o retiro e o afastamento das coisas mundanas, a oração contínua e a meditação das verdades eternas.” (Constituições Ecarm)