O canto gregoriano

O canto gregoriano é o canto próprio da liturgia da Igreja Católica Romana. Legada por uma longa tradição, este repertório musical, que o Concílio Vaticano II chama de "um tesouro de valor inestimável", foi composta principalmente de versículos bíblicos latinos

O canto gregoriano tem uma história complexa e sua origem e evolução iniciais são em grande parte desconhecida. Embora a elaboração de canto gregoriano foi fortemente influenciada pela cultura musical judaica e grega - especialmente para sua modalidade - é antes de tudo um canto Latino.

Uma “coleção antiga”de cânticos eclesiásticos com melodias simples foi construído pela primeira vez no Ocidente em torno de 3 a 4 séculos. Isto foi baseado em recitativos na liturgia das primeiras gerações de cristãos. Um repertório local desenvolvido em várias regiões: cânticos romanos, de Benevento (sul da Itália), Milanese - ou seja, ambrosiana - (norte da Itália), hispânicos e Gallican (na Gália). Os papas entre os séculos V e VII, especialmente Leão Magno, Gelásio e Gregório Magno (a quem o canto gregoriano deve o seu nome), ajudou a organizar o repertório ao longo do ano litúrgico.

Assim escreve Santa Hildegada de Bingen, monja beneditina da Alemanha:

“Lembremos”, escreve ela ao Bispo de Mainz, “que o homem desejou reencontrar a voz do Vivo Espírito que Adão perdera por desobediência, ele, que antes de sua falta, sendo ainda inocente, tinha uma voz semelhante àquela que os anjos possuem por causa de sua natureza espiritual. [...] Essa semelhança com a voz angélica que tinha no paraíso, Adão a perdeu; e essa arte da qual era dotado antes do pecado foi de tal maneira entorpecida que, ao despertar como que de um sono do que havia visto em sonho, se tornou ignorante e inseguro dela, depois de ter sido enganado por sugestão do diabo. E, ao opor-se à vontade de seu Criador, encontrou-se envolvido pelas trevas da ignorância interior por causa de sua iniqüidade. Mas Deus, que preserva para a beatitude primeira as almas dos eleitos à luz da Verdade, decidiu por Ele mesmo que, cada vez que tocasse o coração de certos homens derramando sobre eles o Espírito profético, lhes devolveria, junto com a Iluminação interior, alguma coisa daquilo que Adão possuíra antes de ser castigado por sua desobediência.

Então, para que o homem pudesse gozar dessa doçura e do louvor divino de que o próprio Adão gozava antes de sua queda e dos quais já não podia se lembrar em seu exílio, para incitá-lo a procurá-los, os Profetas, instruídos por esse mesmo espírito que haviam recebido, inventaram não somente os salmos e os cânticos, que eram cantados para aumentar a devoção daqueles que os ouviam, mas também diversos instrumentos de música, graças aos quais emitiam múltiplos sons a fim de que — tantas as formas e as qualidades desses instrumentos e do sentido das palavras que ouviam e que lhes eram repetidas, despertadas e executadas por esses meios — eles pudessem ser instruídos interiormente. E por isso que os sábios e outras pessoas estudiosas, imitando os Santos Profetas, encontraram, eles também, alguns gêneros de instrumentos, graças à sua arte, para poder cantar de acordo com o deleite da alma. E o que cantavam, graças às articulações de seus dedos e às inflexões que praticavam, eles o harmonizaram, lembrando Adão, formado pelo dedo de Deus, isto é, pelo Espírito Santo, em cuja voz todo o som de harmonia e toda a arte da música, antes do pecado, era suavidade; se ele tivesse permanecido no estado em que fora formado, a deficiência do homem mortal não poderia de modo algum suportar a força e a sonoridade de sua voz.

Assim, quando o diabo enganador percebeu que o homem, sob a inspiração divina, começara a cantar, e que assim era levado a recordar a suavidade dos cânticos da pátria celeste, vendo que as maquinações de sua perfídia estavam reduzidas a nada, ficou aterrorizado, atormentou-se e começou a pensar e a procurar, segundo os múltiplos recursos de sua perversidade, de que maneira poderia, daí por diante, não apenas multiplicar no coração do homem más sugestões e imundos pensamentos ou distrações várias mas também no coração da Igreja, onde quer que fosse possível, por meio de dissensões e escândalos ou por ordens injustas, perturbar ou impedir a celebração e a beleza do divino louvor e dos hinos espirituais”.


Podemos encontrar nos documentos e escritos dos Sumos Pontífices, textos que nos ilustram a importância da música sacra para a vida da Igreja, especialmente nos Mosteiros. Como exemplos citamos apenas alguns, ao longo dos últimos anos:

Motu Proprio Tra Le Sollicitude, Do Sumo Pontífice Pio X;

Constituição Apostólica Divini Cultus Sanctitatem (1928), Do Papa Pio XI;

Carta Encíclica Musicae Sacrae Disciplina do Papa Pio XII,;

Veterum Sapientia (1962), do Papa João XXIII;

Sacrosanctum Concilium (1963), Sobre A Sagrada Liturgia Promulgada Solenemente Por

Sua Santidade O Papa Paulo VI;

Bento XVI: Canto Gregoriano e Polifonia do Renascimento para o Ano da Fé.